Desde aquela triunfal chegada do Mestre Josué,
nunca mais parou...
Era o inicio da década de quarenta do Século
XX, na cidade-sorriso, Manaus.
Tempos de coragem e destemor...
Mestre Josué plantou a semente e a Difusora
espalhou suas ondas pelo rico vale verde...
Tempos de sonhos, de vontade de crescer sem
limites.
Com sua esposa, Dona Maria da Fé, Josué obteve
quatro rebentos..
Na verdade, quatro sustentáculos de amor e
dedicação...
Foi Assis Chateaubriand, o legendário Chatô,
que teve a idéia de buscar lá em Itajaí o jovem promissor Josué Cláudio de
Souza
Anos depois nascia a Rádio Difusora do
Amazonas, do próprio Josué.
A Rádio, nascia em 1948, chegou à liderança de
audiência na cidade.
E tempos depois, uma referência regional, uma
empresa autêntica e familiar.
O Barco navegou e os jovens filhos do
patriarca Josué dos anos sessenta.
Foram, cada vez mais, aproximando-se do sonho
do velho patriarca.
O tempo passou e dentre os rebentos famosos de
Souza, eis que há uma jovem bonita, inteligente e firme como era o criador da
mais famosa Crônica Sócio-Política de Rádio do Amazonas. Quem não esperava o
meio-dia para ouvir a Crônica do Dia?
Maria da Fé era uma espécie de Josué Cláudio
de Souza, de saias.
Dinâmica, forte, decisiva, ardorosa pelo
trabalho bem feito, como era o pai: perfeccionista ao extermo.
O nome dela?
Maria da Fé, uma homenagem a mãe.
Fezinha.. Que saudade, mulher!
Bate no peito um aperto mais do que dolorido e
angustiado, principalmente porque sabemos que não mais ouviremos “ao vivo” o
famoso: Amanhã eu volto!
Sim A Difusora só da bolas pra você!
E sempre deu. Haja bolas jabulanis hoje para
saudá-la, de uma ou de outra maneira.
E o Clube de Regatas Vasco da Gama, ficou com
uma torcedora a menos nesse Brasil.
Vamos todos cantar de coração?
Tua estrela na terra a brilhar...
Pode ser, mas você também é uma estrela agora
brilha no céu infinito...
A menina vascaína, a jovem bonita, que casou
com o Doutor Miguel Anzoategui e que com ele trouxe ao mundo o Daniel e o
André, decretou que temos que lutar até o fim.
Sim, lutar é o que você sempre fez, até os
últimos momentos, guerreira!
Fezinha, a mulher forte, às vezes, enérgica,
mas que também era brincalhona e fiel aos amigos. Um coração molee imenso. A amiga de todas as horas...
Hoje, Maria da Fé, nós todos estamos assim,
meio delocados, sabe? Dói muito saber que um amigo se foi dessa terra, mas
fazer o quê?
Nome do barco da Fezinha.
Nesse ano o teu Boi Caprichoso foi campeão e
tu que tantas vezes ias a Parintins em seu próprio barco, levar tua força ao
“Negro da América”, era uma exaltada torcedora azul.
Você que a tantos ajudou sem ver o rosto,
pelos simples gesto de gostar de ajudar prá valer, sem esperar nada em troca...
Você era feliz pelo simples fato de auxiliar o próximo. Que coisa linda. E
ficava na tua... Não fazia marketing pessoal. Não era ligada a estas coisas.
Poucas sabiam disso...
O Braço forte do “Amor de Manaus está no ar”,
que tinha orgulho de sua gente e do seu Amazonas, leonina, nascida em 15 de
agosto, um mês quente no Amazonas, que arde com uma canícula é de tal forma
muito parecido com a tua energia de menina-mulher-senhora-mãe, dinâmica, uma
máquina e trabalho, um exemplo de força e de ser humano. Um orgulho para os
seus.
Essa mulher, que estava sempre presente nos
diversos eventos dessa Manaus, quando chegava a à Rádio, junto à Leonor, da
portaria , dizia: Vitóória! Isso mesmo, Fezinha você foi e sempre será uma
vitoriosa. Você mesmo deixava transparecer isso...
Uma cabocla amazonense que não se dobrava as
dificuldades, nunca! Sabe Fê? E agora o que será da uma turma do Dominó nas
tardinhas da Difusora? E os operadores de aúdio? O Rubens, o P.C, o Cabral, o
Charleco, o Carlinho, o Ozamir, Chacal, o Diego? Mesmo, o Pitombinha, que por
muito tempo gravou a sua voz todos os dias, para a delícia dos teus ouvintes...
Você os deixou órfãos, garota...
A mulher das finanças, a visão vanguardista,
todos os dias, ouvíamos atento suas noticias sobre a Economia, logo cedo, no
jornal da manhã. E você, tinha tempo para tudo, não aceitava que o tempo a
levasse, você é que o determinava a se bel prazer.
Como boa católica, como excelente mãe e
esposa, mas eternamente uma jovem à procura de novos sonhos, que se tornavam
realidade, por meio do trabalho e da dedicação. Era um exemplo, sim senhor, um
belo exemplo.
Aquele barco agora não mais levará sua diva. Navegará triste pelos rios do
Amazonas...
E as canções do Roberto? Ninguém vai
tirar você de mim... Só mesmo o criador, que sabe tudo, é que sabia que
esse era o momento de tirar você de todos nós... Como dói, minha querida...
afinal, De que vale tudo isso se você não
esta aqui?
Lembramos de quando você, após uma ou outra pescaria, distribuía os peixes
para muitos, uma mulher caridosa, que nunca fez questão de propalar aos quatro
ventos, a sua bondade.. sabe, o Roberto Cuesta, que a chamava de Santinha, e que é vascaíno como você, a
Elieide, da mesma forma, o Valdir, o Pelegrini, o Airton, o Paulo Guerra, o
Eduardo, a Magali, o Jurandir, J.Nunes, Rosa, Ismael, Josimar, Ana, Rogério, o
Josué Neto, a Lorena, o André o Daniel, o Campelo, o Josué Filho, teu mano, a
Carminha, a Nozinha, enfim, a Família Difusora e tantos outros milhares, sentem
a falta da tua iluminada presença fisicamente ou pelas ondas da nossa rádio.
No fim do dia, das nove à meia-noite, tínhamos o prazer de ouvir o melhor
da MPB. À noite tínhamos o prazer de ouvi-la, sempre firme e com aquela voz de
mãezona jovem (um paradoxo) e ao mesmo tempo, uma mulher experiente – uma mistura
agradável, a voz feminina da Difusora. Os
nossos momentos, com certeza não serão mais os mesmos. E você sabe do que
falamos, pois igual a você... Sem palavras!
Maria da Fé Xerez de Souza Anzoategui, descanse em
paz em tua nova morada. E por aí, onde tu já estás, em espírito, continue a
falar, a brincar, a viver essa nova vida que Deus ti deu, você é uma vitoriosa.
Vitóória ! Isso Mesmo! Você é uma vitoriosa, e sempre será! Fale com teu pai,
este grande homem, que estamos muitos satisfeitos com o legado que você nos
deixou; com a vida que a nos dedicou; com o exemplo de fé e esperança que
lastreasses nessa cidade morena, nesse Amazonas que tanto ti ama.